Star Fox na Switch 2 tem um segredo dos anos 90
8 de julho de 2026·por Capsule.pt
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O novo Star Fox para a Switch 2 esconde uma homenagem aos anos 90 que quase ninguém notou à primeira vista. Descobre a mensagem escondida que liga o jogo ao clássico original e ao lendário chip Super FX.
O novo Star Fox para a Nintendo Switch 2 já era notícia por trazer de volta a Equipa Star Fox, mas o pormenor que está a espalhar-se nas redes sociais não tem nada a ver com tiros no espaço. Numa das naves mostradas no Direct de apresentação, alguém escondeu uma mensagem que remete direitinho para 1993 e para os manuais impressos que qualquer jogador dos anos 90 guardava como uma relíquia. É um daqueles pormenores que só existem porque alguém, algures na Nintendo, ainda se lembra do que tornou a marca grande.
O easter egg de Star Fox que está a dar que falar
Fãs atentos repararam que, por volta do minuto 15:41 do Direct, ao colocar o vídeo em pausa e a olhar para o lado da nave pilotada por Peppy Hare, aparece um texto quase impossível de ler em tempo real. Diz "Super FX Technology", uma referência direta ao chip Super FX que, em 1993, permitiu ao Star Fox original correr gráficos poligonais a três dimensões numa consola de 16 bits, algo verdadeiramente notável para a época.
Mas a homenagem não fica por aí. Nas linhas seguintes lê-se "See NPPG 045496691271 97-10 for complete instructions". NPPG significa Nintendo Power Player's Guide, e o número comprido corresponde ao código UPC do guia estratégico da Nintendo Power dedicado ao Star Fox 64. Já o "97-10" remete para a data de lançamento europeu do jogo, no formato japonês de ano e mês. Três camadas de referência escondidas num único pormenor de fundo de ecrã, resumidas assim:
- O chip Super FX de 1993, que tornou o Star Fox original um marco técnico da SNES
- O código do guia estratégico da Nintendo Power para o Star Fox 64, publicado para o Nintendo 64
- A data de lançamento em formato japonês, uma homenagem discreta ao mercado que recebeu o jogo em primeiro lugar
Foi a comunidade que decifrou tudo isto, com sites especializados como o GoNintendo e o Time Extension a destacarem o achado nas semanas seguintes ao anúncio. E é precisamente esse tipo de trabalho de detetive, feito por gente que ainda se lembra do peso de um guia impresso na mão, que mantém viva a cultura à volta destes jogos.
Já aqui escrevemos sobre como as consolas retro portáteis continuam a trazer essa mesma era de volta, sem precisar de ligar a televisão nem de andar à procura de um guia em papel. Faz sentido: quando uma editora do tamanho da Nintendo se dá ao trabalho de esconder uma referência destas num jogo novo, está a dizer que a história da consola conta tanto como o lançamento em si.
Porque é que estas homenagens continuam a conquistar os fãs
Easter eggs deste género não são novidade, mas raramente são tão específicos. Não se trata de esconder uma personagem secreta ou um nível extra: é citar um número de catálogo de um produto que deixou de se vender há mais de vinte anos. Só quem trabalhou de perto com aquele guia, ou quem cresceu a consultá-lo à procura da localização de um chefe, é que reconhece a referência à primeira vista.
É também um sinal dos tempos. Com o Star Fox 64 e o Super FX cada vez mais distantes no tempo, há uma geração de programadores e designers dentro da própria Nintendo que decidiu perpetuar essa memória dentro do código do jogo mais recente. Não é publicidade, não é anunciado em comunicado de imprensa: é uma mensagem deixada para quem sabe onde procurar, exatamente como funcionavam os segredos dos jogos antes da internet estar cheia de soluções.
Para quem segue jogos clássicos e a forma como as marcas tratam o seu próprio legado, este é o tipo de história que vale mais do que parece à primeira vista. Não muda a jogabilidade, não acrescenta nenhuma funcionalidade, mas diz muito sobre o cuidado com que uma empresa pode olhar para décadas de história em vez de as tratar como um capítulo encerrado.
O que este pormenor de Star Fox diz sobre o retro gaming
O mais interessante é que este tipo de homenagem só funciona porque ainda há um público disposto a decifrá-la. A comunidade que guarda guias antigos, que sabe o que foi o chip Super FX e que reconhece um código UPC de vinte e tantos anos é a mesma que continua a colecionar cartuchos, a restaurar consolas e a manter viva a memória de uma era que a indústria tenta, cada vez mais, deixar só em formato digital.
Enquanto a Nintendo esconde referências deste tipo dentro dos seus próprios jogos, o resto de nós continua a encontrar formas mais simples de manter essa nostalgia por perto, seja a reabrir uma cartucheira antiga, seja a levar uma coleção de clássicos no bolso. O detalhe pode ter nascido de uma piada interna entre programadores, mas o efeito é o mesmo de sempre: lembrar que o retro gaming nunca deixou de ter público, só mudou de forma.
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