Na semana passada, a Sony confirmou aquilo que a indústria já suspeitava há algum tempo: a PlayStation vai migrar para um catálogo totalmente digital até 2028. Sem discos, sem caixas, sem nada para guardar numa prateleira. Para quem cresceu a colecionar jogos como quem coleciona livros ou vinis, a notícia soa a fecho de capítulo.
O fim silencioso do disco físico
Não é uma decisão isolada. Ao longo dos últimos anos, o peso das vendas digitais já ultrapassava largamente o das cópias físicas em quase todos os mercados, e o discurso das editoras foi mudando devagar: primeiro reduziram o número de exemplares físicos, depois começaram a lançar edições exclusivamente digitais, e agora chegam ao ponto de anunciar uma data para o fim. A lógica é simples do lado do negócio, sem produção, sem distribuição física, sem lojas a revender em segunda mão. Mas do lado de quem joga, significa depender para sempre de uma conta, de um servidor e de uma licença que pode desaparecer sem aviso.
Quanto mais digital o presente, mais se procura o passado
É por isso que 2026 está a ser, de forma quase paradoxal, um dos melhores anos de sempre para o retro gaming. Enquanto as grandes editoras avançam para o digital, cresce em paralelo uma comunidade cada vez maior de pessoas que voltam a valorizar aquilo que se pode tocar, guardar e passar a alguém. Handhelds dedicados a clássicos multiplicam-se nas prateleiras, projetos de preservação de jogos antigos ganham financiamento sério, e há cada vez mais gente disposta a trocar o último lançamento por uma tarde a redescobrir os jogos que marcaram a infância. Não é só nostalgia por nostalgia, é também uma resposta direta à sensação de que o digital pode ser retirado a qualquer momento.



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