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Tetris: o jogo da Guerra Fria que conquistou o mundo

Tetris nasceu na União Soviética em 1984 e tornou-se o jogo mais vendido da história dos videojogos. Descobre a incrível disputa da Guerra Fria por trás do sucesso.

Tetris Effect: Connected, versão moderna do clássico nascido na União Soviética

Tetris é, segundo o Guinness World Records, o videojogo mais vendido de sempre em número de plataformas diferentes. Mas por trás dos blocos que caem, coloridos e simples, esconde-se uma das histórias mais insólitas da indústria: uma disputa de direitos que atravessou a Guerra Fria e quase impediu o jogo de sair da União Soviética.

Como o Tetris nasceu do outro lado da Cortina de Ferro

Em junho de 1984, o programador soviético Alexey Pajitnov criava o Tetris num computador do Centro de Computação da Academia de Ciências, em Moscovo. Não havia qualquer intenção comercial. Era um exercício de programação inspirado num velho jogo de peças poligonais chamado pentaminós.

O problema começou quando o jogo se espalhou, primeiro entre colegas, depois por disquete até ao Ocidente. Na União Soviética da época, a propriedade intelectual não existia como a conhecemos. Qualquer negociação tinha de passar pela Elektronorgtechnica, a agência estatal que controlava as exportações de tecnologia. Seguiram-se anos de contratos confusos, empresas rivais a reclamar direitos exclusivos e processos judiciais em várias línguas. Pajitnov só voltou a ver dinheiro do seu próprio jogo em 1996, mais de uma década depois de o ter criado.

A jogada que transformou o Game Boy num fenómeno

A verdadeira explosão do Tetris aconteceu quando o empresário Henk Rogers garantiu os direitos portáteis e os levou à Nintendo. Em 1989, em vez de embalar o Game Boy com um jogo de ação como seria óbvio, a Nintendo decidiu apostar em Tetris. Foi uma decisão pouco convencional para a época, mas certeira.

O resultado ultrapassou qualquer expectativa. Tetris atraía toda a gente, de crianças a avós, num tempo em que os videojogos eram vistos como coisa de miúdos. Essa versão para Game Boy vendeu sozinha mais de 35 milhões de cópias e ajudou a transformar a consola portátil da Nintendo numa das mais icónicas da história dos videojogos retro.

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Esta viagem às origens de um dos jogos mais viciantes de sempre é o convite perfeito para teres sempre por perto uma consola retro portátil, pronta a provar porque os clássicos simples continuam a conquistar tanta gente.

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O recorde que ninguém achava possível em Tetris

Durante 34 anos, ninguém tinha conseguido chegar ao fim da versão clássica do jogo para NES. Em dezembro de 2023, um jovem norte-americano de apenas 13 anos, conhecido online como Blue Scuti, fez o impossível. Chegou ao nível 157 e provocou aquilo a que os jogadores chamam kill screen verdadeiro, o ponto em que o próprio jogo deixa de conseguir processar a velocidade das peças.

Usou técnicas avançadas de toque rápido nos botões, praticamente impossíveis de reproduzir num comando comum. A notícia deu a volta ao mundo e voltou a colocar Tetris no centro das conversas, quase quatro décadas depois de ter nascido do outro lado da Cortina de Ferro.

Porque é que o Tetris continua tão viciante?

As regras são simples e o desafio cresce sempre um pouco mais a cada peça. Vários estudos já associaram este tipo de jogo a um efeito real, conhecido como Efeito Tetris, em que o cérebro continua a organizar formas mesmo depois de se deixar de jogar. É uma das razões pelas quais continua tão presente em telemóveis, consolas e até relógios, mais de quatro décadas depois de ter sido criado.

Quantas cópias de Tetris já foram vendidas ao todo?

Juntando todas as versões e plataformas, as estimativas apontam para mais de 500 milhões de cópias vendidas desde 1984. Nenhum outro jogo esteve disponível em tantos sistemas diferentes, do computador soviético original às consolas mais recentes, passando por dezenas de portáteis ao longo do caminho.

Da Guerra Fria ao recorde de um adolescente, a história do Tetris mostra como um puzzle simples pode marcar gerações inteiras. E continua a ser, ainda hoje, um dos clássicos mais fáceis de reviver em qualquer consola retro portátil.

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