O pior jogo da história está enterrado no deserto
A Atari enterrou centenas de milhares de cópias do jogo E.T. num deserto do Novo México. Conhece a história real por trás do pior jogo de sempre.

Há um jogo que continua a ser lembrado como o pior da história dos videojogos, e a razão vai muito além da qualidade duvidosa. Falamos de E.T. the Extra-Terrestrial, lançado pela Atari em 1982, cujas cópias por vender acabaram literalmente enterradas no deserto do Novo México. Durante décadas, a história soou a lenda urbana. Hoje sabe-se que é verdade.
Como nasceu o pior jogo da história
Tudo começou com um negócio arriscado. A Atari pagou uma fortuna à Warner Bros. pelos direitos do filme de Steven Spielberg e deu ao programador Howard Scott Warshaw apenas cinco semanas para criar o jogo, a tempo do Natal de 1982. Para comparação, projetos semelhantes demoravam meses inteiros.
O resultado foi um jogo confuso, cheio de buracos onde o alienígena ficava preso vezes sem conta. As críticas foram implacáveis e as vendas ficaram muito abaixo das quatro milhões de cópias produzidas pela Atari, que tinha apostado tudo na popularidade do filme.
A lenda do deserto do Novo México
Com armazéns cheios de cartuchos que ninguém queria comprar, a Atari escolheu uma solução discreta. Em setembro de 1983, a empresa enviou centenas de milhares de cartuchos, consolas e material promocional para um aterro sanitário em Alamogordo, no Novo México, e mandou cobrir tudo com betão.
Durante mais de trinta anos, ninguém confirmou oficialmente a história. Os jornais da época davam conta do enterro, mas a Atari nunca admitiu os números, e o caso ficou associado ao colapso da indústria dos videojogos em 1983, uma crise que quase acabou com o setor nos Estados Unidos.
Ao contrário desta história de pressas e prejuízos, uma consola retro portátil está sempre pronta a jogar, sem prazos apertados nem promessas por cumprir.
Ver consolaA escavação que confirmou a lenda
Em abril de 2014, uma equipa de documentaristas obteve autorização da cidade de Alamogordo para escavar o aterro. Depois de atravessar cerca de nove metros de lixo e entulho, encontraram 1.382 cartuchos praticamente intactos, incluindo cópias de E.T., mas também de Centipede e Pac Man.
A descoberta confirmou o que muitos colecionadores só conheciam por ouvir dizer. Parte dos cartuchos foi doada a museus, incluindo o Smithsonian, e o resto foi vendido em leilão através do eBay, angariando mais de 37 mil dólares a favor da cidade que guardou o segredo durante tanto tempo.
Esta história é hoje um dos maiores símbolos da nostalgia gamer, ao lado de clássicos que continuam a ser jogados décadas depois. Quem quiser reviver essa época sem precisar de escavar nada tem sempre à mão uma coleção de consolas retro portáteis pronta a usar.
Quantos cartuchos de E.T. foram mesmo enterrados?
A Atari nunca confirmou um número exato, mas relatos da época falam em várias centenas de milhares de unidades, entre cartuchos e outros produtos. Na escavação de 2014 foram encontrados 1.382 cartuchos ao todo, de vários jogos diferentes, não só de E.T.
Porque é que a Atari escondeu isto durante tanto tempo?
A empresa preferiu nunca confirmar os detalhes, provavelmente para não expor ainda mais o fracasso do jogo nem os prejuízos da altura. Durante décadas, a história foi tratada como lenda urbana, até a escavação de 2014 provar que era real.
Onde estão os cartuchos hoje?
Alguns ficaram em museus, outros foram vendidos em leilão a colecionadores de todo o mundo, e uma pequena parte permanece exposta como peça de museu junto à própria cidade de Alamogordo, onde tudo aconteceu.



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