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Mortal Kombat: o jogo que criou a classificação etária

Mortal Kombat foi levado ao Senado dos EUA pela violência dos seus fatalities, e essa polémica deu origem à classificação etária que hoje vês em qualquer jogo.

Mortal Kombat, o jogo que levou a violência dos videojogos ao Senado dos Estados Unidos

Mortal Kombat é hoje um dos nomes mais conhecidos dos videojogos, mas poucos sabem que o jogo mudou para sempre a forma como todos os títulos são vendidos. A violência gráfica da versão de 1992 chegou a ser discutida no Senado dos Estados Unidos, e essa polémica deu origem à classificação etária que ainda hoje vês em qualquer caixa de jogo.

Porque é que Mortal Kombat chocou tanta gente

Lançado nos arcades em 1992, Mortal Kombat trouxe algo que quase ninguém tinha visto antes: personagens digitalizados a partir de atores reais, sangue à mistura e os famosos fatalities, golpes finais brutais como decapitações. Para a época, o realismo era assustador.

Nas versões para consolas, a Nintendo optou por remover o sangue e suavizar os golpes. A Sega fez o oposto: manteve a violência original, mas escondida atrás de um código secreto que os jogadores tinham de introduzir para a ativar.

Personagens como Scorpion, Sub-Zero ou Liu Kang tornaram-se ícones instantâneos, reconhecidos até por quem nunca chegou a jogar. Essa popularidade explica em parte o alarme que se seguiu: um jogo tão violento estava, de repente, ao alcance de qualquer criança com acesso a um arcade ou a uma consola.

A classificação etária nasceu de uma audiência no Senado

Em dezembro de 1993, o senador Joe Lieberman levou Mortal Kombat, junto com o jogo Night Trap, a duas audiências no Senado dos Estados Unidos. O objetivo era alertar os pais para o conteúdo a que os filhos tinham acesso, muitas vezes sem qualquer aviso na caixa.

A pressão política foi suficiente para a indústria agir. Em 1994 nasceu a Entertainment Software Rating Board, a ESRB, o organismo responsável até hoje pelas classificações etárias dos jogos nos Estados Unidos.

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E em Portugal, quem trata das classificações?

Na Europa, incluindo Portugal, a referência é a PEGI, criada em 2003 e inspirada precisamente nas lições da polémica de Mortal Kombat. É por causa dela que hoje encontras logotípos como PEGI 3, PEGI 12, PEGI 16 ou PEGI 18 em qualquer caixa de jogo nas lojas portuguesas.

Mais de 30 anos depois, a franquia continua viva, mas a sua marca mais duradoura pode não ser nenhuma personagem: é o simples facto de todos os jogos, dos mais violentos aos mais familiares, virem hoje com um aviso claro sobre a idade recomendada. Para quem quer recordar como tudo começou, vale a pena espreitar a coleção de consolas retro da Capsule.pt e reviver os clássicos dessa época.

Porque é que Mortal Kombat foi parar ao Senado dos Estados Unidos?

Por causa da violência gráfica do jogo, incluindo os fatalities com sangue e decapitações. O senador Joe Lieberman usou o título, junto com Night Trap, como exemplo do que considerava inadequado para crianças, numa audiência pública em dezembro de 1993.

O que é a ESRB?

É a Entertainment Software Rating Board, criada em 1994 nos Estados Unidos como resposta direta à polémica gerada por Mortal Kombat. Até hoje é o organismo que atribui as classificações etárias aos jogos vendidos no mercado norte-americano.

A Europa usa o mesmo sistema que os Estados Unidos?

Não. Na Europa, incluindo Portugal, usa-se a PEGI, um sistema próprio criado em 2003. A lógica é semelhante à da ESRB, mas os critérios e os símbolos são diferentes, com as conhecidas etiquetas PEGI 3, 7, 12, 16 e 18.

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